Pés de lótus

Eu recebi uma sugestão que eu achei muito interessante e é claro que eu tinha que escrever sobre.

Na China antiga, lá para o início do século X, o pé pequeno era sinónimo de graça e beleza e para te-los as chinesas se realmente sacrificavam.

Enquanto crianças, elas partiam os ossos dos pés dobrando-os para dentro de modo a que parassem de crescer. Começavam a ser enfaixadas a partir dos cinco ou seis anos, uma tradição passada de mãe para filha, um processo torturante, mas que  famílias pobres viam neste processo a possibilidade de conseguir uma vida melhor para as filhas, para demonstrar valor e o status. Se não tivessem os pés pequenos, não arranjavam um bom casamento, uma vez que as mulheres de “pés de lótus” eram as preferidas pelos senhores de negócios.

Essas chinesas que enfaixavam os pés eram chamadas de “pés de lótus“. Um pé enfaixado com sucesso, tinha de 7cm a 10cm. Nem é preciso dizer que andar era praticamente impossível,somente com ajuda, a não ser que se arrastassem,por isso, banquinhos eram colocados pela casa para que elas se movessem sem ter de pisar o chão, ou teriam de andar sobre os joelhos.

Mas por que o nome “Pés de Lótus”? Bem, são várias as possíveis explicações. Uma delas diz que o imperador no final do século IX ficou encantado por ver uma concubina com os pés muito pequenos dançar sobre um palco em forma de flor de lótus. Já uma outra versão diz que o nome se refere ao formato dos pés – que ficam curvados para cima, em forma de “lótus”. Há ainda outra que sugere o fato das mulher oscilarem de um lado para o outro lembra a imagem da flor de lótus ao vento.

Bom o que sabemos é que muitos chineses dessa época achavam os “pés de lótus” muito eróticos, considerados a parte mais íntima da anatomia da mulher e  que este costume só foi abolido em definitivo, quando os comunistas tomaram o poder em 1949.

A maioria de vocês que estão lendo, devem achar algo simplesmente surreal e podem até estar se pensando ” Quanto sofrimento foi preciso para estas mulheres se encaixarem em um padrão tão descabido!” Mas se pararmos para refletir o que faz alguém cortar metade do seu próprio estômago para ficar mais magro? Rasgar e costurar o rosto para deixa-lo mais “certo”? Aplicar um produto tóxico, inflamável, carcinógeno no cabelo para deixa-lo mais liso? Pois é, galera, sempre estivemos em um mundo de padrões e aparências.

Aqui é Beatriz abrindo os olhos de vocês no isso não é bullying.

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